
VOILÀ.



Selinho que a carinhosa Pri, do blog Educação infantil: espaço para ser feliz ofereceu a mim e a outras companheiras. Obrigada e um grande abraço.




Maria Clara Lucchetti Bingemer
No dia quatro de janeiro de 1960, há exatamente cinqüenta anos atrás, morria Albert Camus. De acidente e prematuramente. De surpresa, como era sua vida e sua obra. Homem de extremo talento, francês argelino, filho de mulher simples e afetuosa a quem sempre dedicou grande afeto. O pai morreu na guerra de 1914, o que obrigou a mãe a mudar-se para um bairro operário, fazendo com que o filho conhecesse cedo a mordida da pobreza e da dificuldade de vida.
Escritor brilhante e pensador instigante, Camus desde cedo se debateu entre a grandeza de seu espírito e o fascínio pela Transcendência que o levou inclusive a elaborar sua tese de doutorado sobre Santo Agostinho e, ao receber o Premio Nobel de literatura, a recolher-se antes de ir à Suécia, nos aposentos da filósofa e mística Simone Weil, a quem muito admirava e o absurdo da existência que o levava a questionamentos bem próximos da Teodicéia.
No entanto, não se devem simplificar suas posições sobre a existência de Deus dizendo-o simplesmente ateu. Camus é na verdade, anti-teísta. Critica o Deus que a Tradição das Igrejas cristãs disseminaram no Ocidente questionando-lhe a veracidade diante do sofrimento do mundo e da existência do mal. A existência humana é por ele entendida a partir do mito de Sísifo, que se esforça descomunalmente para levar morro acima uma enorme pedra e a cada dois passos que vence na subida, é forçado a descer outros tantos e mais pelo peso da pedra. O absurdo deste perpétuo e fracassado esforço leva Camus a questionar-se se realmente existe um sentido para a vida e a perguntar-se por que o Criador permanece em silencio diante de tantos mistério insondáveis.
Talvez entre seus livros, o que mais questione a teologia seja o maravilhoso romance “A peste”. Em uma cidade que pode ser o mundo, ratos desencadeiam uma mortal epidemia que não poupa ninguém. Pouco a pouco todos vão caindo: mulheres, jovens, crianças, vitimados pela horrível doença que não escolhe suas vítimas. O protagonista, o médico Rieux, ateu, se pergunta incessantemente, enquanto dedica o melhor de seus jovens anos a cuidar dos doentes terminais: Por quê? Por quê?
Seu jovem auxiliar, Tarrou, morre em seus braços, e a pergunta não cessa de lhe vir aos lábios: Pode-se ser um santo sem Deus? Confrontado com o personagem de Rieux, o Pe. Paneloux afirma a existência de Deus com o discurso tradicional da fé. O romance termina e todos os que o lemos sabemos que a pergunta de Camus não é sem fundamento. Porque conhecemos tantos e tantas pessoas que viveram e vivem essa santidade sem Deus; esse ateísmo honesto e cheio de espírito que recusa um Deus imposto que nada lhes diz e que se resume a uma repetição de fórmulas e normas sem uma experiência que faça sentido e uma prática coerente.
As jovens gerações já não lêem Camus, sua obra literária e filosófica. Juntamente com Sartre, foi responsável por toda uma corrente de pensamento que revolucionou o pensamento do século XX, o existencialismo. Em tempos de razão tão cínica e cética como os nossos, haveria que volver a estudar Camus – ouso dizer – mais que Sartre. Como não voltar a seus fascinantes romances “O estrangeiro”, “A peste”, a seus ensaios profundos “O mito de Sísifo”, enfim como não debater todas as questões tão profundas e tão atuais que esse argelino levantou não apenas para uma geração mas para todas, inclusive a nossa?
Do limiar da segunda década do século XXI, em plena secularização, quando a vivencia da fé tem que enfrentar-se com uma cada vez maior desinstitucionalização, a teologia mesmo se pergunta diante da obra camusiana: como dialogar com os santos sem Deus, com os místicos sem Igreja do mundo de hoje? Não seriam talvez eles e elas os grandes parceiros e interlocutores dos quais deveríamos aproximar-nos para tentar construir um mundo melhor? Que os cinqüenta anos da morte de Camus e sua celebração possam inspirar-nos neste sentido.
Fonte: AMAI-VOS.




Ótima leitura para os alfabetizadores, o livro GUIA TEÓRICO DO ALFABETIZADOR, escrito por Miriam Lemle, da editora Ática, trata de conceitos referentes aos sons da fala, à relação entre os sons da fala e as letras da língua escrita, às diferentes maneiras como essas variações de pronúncia podem afetar a aprendizagem da língua escrita e à distinção entre língua escrita e língua falada.
Referência: LEMLE, Miriam. Guia teórico do alfabetizador. São Paulo: Ática, 2007.



Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dia límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz!
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de fores. Para aonde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira largava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu que participava do auditório imaginava os assuntos e suas peripécias – e me sentia completamente feliz.
Houve um tempo tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
MEIRELES, Cecília. Escolha o seu sonho. Editora Record. Rio de janeiro-RJ, p. 24.














Você gravou imagens, músicas ou mensagens em CDs ou DVs para o seu amigo e não tem como embalá-los? Na lojinha da esquina você certamente encontrará muitas capas, mas, por que não confeccioná-las você mesma? Além de prazeroso, este gesto indica o seu carinho e cuidado para com o seu amigo, portanto, mãos à obra.