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O cinema, como qualquer outra manifestação cultural, pode estar presente nas atividades curriculares. A produção cinematográfica, além de ser um gostoso entretenimento, é um recurso didático que motiva e possibilita a análise, o debate e a reflexão sobre problemas de diferentes natureza: social, histórica, ambiental, política, entre outros.
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De Bianca Rosolem.
Foi um modo de aprender a viver. Alice gostava de se esconder. Pregava peças nos pais quando se ocultava nos lugares mais inesperados da casa. Com os amiguinhos brincava de esconde-esconde e era a campeã entre todos. Um dia, a brincadeira tanto se estendeu que a mãe de Alice chamou o guarda da rua para achá-la. Após 4 horas, com a mãe quase arrancando os cabelos, Alice fora encontrada escondida dentro de um diminuto espaço entre o chão e a pia da churrasqueira do vizinho. E tão acostumada a se esconder, Alice chegou a dormir em posição de contorcionista e, quando acordada pelo desespero de todos, sorriu e achou tudo muito engraçado. Ela não sentiu medo de se perder.
Foi então que ela descobriu que ao se esconder ela também poderia se perder. E que isso poderia ser tão bom porque depois ela poderia ser encontrada. É assim que se aprendem as coisas verdadeiras: Sem pensar, sem livros, cadernos, professoras, sermões de igreja e de pai.
Alice era toda pequena, de forma que se esconder e se perder era muito fácil. A mãe por muitas vezes perdeu Alice no supermercado e, quando a encontrava, ralhava com a pequena. Isto porque a mãe acreditava que Alice havia se escondido, quando, na realidade, a mãe apenas a tinha perdido de vista entre tantas gôndolas e pessoas.
Foi aí que Alice já não soube mais distinguir o que era “se esconder” e “se perder”. E quando adolescente ainda tão pequena e frágil - a menor de todas as garotas da escola - Alice sabia fugir das maldades e do tédio escondida e perdida em seus pensamentos.
E também Alice descobriu a mágica de ficar sozinha entre tantas pessoas, porque ela aprendeu a se esconder dentro. Ela percebeu lugares secretos de sua alma que quando tocados deixavam-na tão bem escondida que chegava a ficar invisível. Ela até testou nesses momentos sua invisibilidade encarando desconhecidos na rua que jamais lhe devolveram o olhar. Ela estava escondida e perdida dos demais, ninguém poderia vê-la, e ela estava em sua própria paz.
Quando os pais de Alice se separaram ela tinha 17 anos e ficou invisível por quase 1 ano. A mãe e o pai separados olhavam através de Alice, sempre, e ela poderia até fazer careta ou chorar de tristeza que eles jamais perceberiam. Foi durante o colegial, e Alice conseguia ser invisível durante as aulas e as provas. Nessa época, Alice freqüentava as salas de cinemas de filmes estranhos, bibliotecas e sebos. Nesses lugares ela era tão invisível que a sua invisibilidade se comunicava com outras.
Com o passar do tempo, Alice então notou que outras tantas pessoas também eram invisíveis. Isso a assustou no começo, afinal, nunca ninguém notara seu dom, e deixar de ser isso tão secreto parecia trazer à tona alguma fragilidade de viver.
Mas agora Alice já é adulta, e terá de encarar o fato de que é tão invisível quanto os que a cercam. Alice está maior e já não pode se esconder entre o chão e a pia. Alguma lição está por vir, e Alice me confidenciou que está confiante.
Bianca Rosolem é cronista do Blônicas.
Uso e abuso dos professores | | |
Escrito por Gabriel Perissé | |
27-Jan-2010 | |
Li na Folha de S. Paulo, no dia 23 de janeiro de 2010, matéria assim intitulada: "SP admite ter de usar professor reprovado".
O verbo "usar" entra pelos olhos, assalta as mentes, espanca o coração, cai torto no estômago e nos faz mal.
O verbo "usar", bem conhecemos. Eu, você, todos nós usamos o verbo "usar". Usamos e abusamos. Faço uso desse verbo porque muitas coisas eu aprendi a usar.
Uso roupa, uso computador, uso escada para subir, uso papel para escrever, uso dinheiro para comprar, uso carro para me transportar, uso de tudo que é lícito para viver humanamente.
Usar não é errado quando uso e manipulo o que é usável e manipulável: objetos a meu dispor, simples ou complexos, caros ou baratos, de qualidade ou vagabundos.
Mas usar pessoas, isso não; isso é demais da conta. Usar pessoas, jamais! Usar alguém para escalar. Usar alguém para ganhar. Usar alguém para gozar. Usar alguém para vencer. Usar alguém é coisa que ninguém deveria fazer. Usar alguém não é do bem. Usar alguém faz mal, e faz mal aos dois: a quem é usado, e também àquele que usa!
Dirão, talvez, que entendi mal. Que o título da matéria não tem maldade. Que "usar" é assim mesmo, usamos sem pensar. Que temos aí um modo de escrever inofensivo. Que estou exagerando a força da palavra. Que estou usando mal a minha capacidade de ler o jornal. Que estou vendo coisas.
Contudo, lá está, a matéria diz: os professores reprovados serão usados. Usados, concluo, porque foram reprovados. E foram reprovados porque sempre foram usados. Porque têm sido objeto de uso e abuso.
O professor fez a prova e foi reprovado. O que será que essa prova provará? Será essa prova eliminatória ou "humilhatória"? O governo de São Paulo garante que o professor, mesmo reprovado, será usado. E ele, o professor, que já se habituou a ser usado faz tanto tempo, voltará a ser temporário. Por quanto tempo?
Usado e mal pago, de manhã, à tarde e à noite, o professor se sente manipulado como uma coisa. Sem aplauso, excluso, mero parafuso, o professor aceita ser usado.
E aqueles que, useiros e vezeiros em usar os professores, humilham o docente, provam, na verdade, que não sabem servir a sociedade. E se não vivem para servir, para que servem?
Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor. Website: http://www.perisse.com.br/
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